Armas na Autodescoberta – 4ª Tradição @ Meditações

Nos tempos de ativa eu vivia com medo de tudo e de todos. Medo do que pensavam sobre mim. Se não gostassem de mim poderiam me prejudicar de formas que eu passava dias engenhando como poderiam ser e que armas eu usaria pra me proteger.

Em recuperação a tradição 4 nos ensina a não levar tudo tão a sério, por causa de uma experiência que os veteranos tiveram ao publicarem as tradições em 1946.

De lá pra cá aprendemos que uma valiosa arma em nossas autodescobertas era sermos capazes de podermos rir de nós mesmos.

A fofoca que assassina o caráter das pessoas é tida como perversa em todas as sociedades. Mas falar da vida alheia tem vários graus de prejuízo ou até apenas contar o que de bom aconteceu com outra pessoa pode ser uma fofoca divertida por assim dizer. O fato é que eu não me considerava fofoqueira, de maneira nenhuma. Não por ser virtuosa, mas por ser tão egoísta que nunca tive o menor interesse em saber da vida dos outros. Meu prato vivia sempre tão cheio que não tinha espaço pra assuntos de mais ninguém. Até que um dia, no trabalho, alguém me desafiou fazendo pouco de minha declaração de não ser fofoqueira. Na hora reagi com vigor e ataquei a pessoa querendo que ela me dissesse quando tinha sido a ocasião em que ela lembrava de mim falando sobre a vida de quem fosse, famoso ou anônimo. A pessoa ficou pensando enquanto na sala toda se fez um silêncio sombrio, e todos ficaram tensos com a minha explosão. Até que timidamente alguém completamente inesperado abriu a boca e disse, com muito medo: “Mas a senhora bem falou outro dia; que tal pessoa tinha Toc….” E eu fiquei chocada porque realmente tinha feito esse comentário e tive que admitir publicamente que não era a santa que eu tanto me orgulhava em ser.

E naquela hora foi uma risada coletiva e o clima tenso se desfez porque obviamente passei a ser motivo de piada devido à minha rigidez no ambiente de trabalho.

Então lembrei da tradição 4 que não devemos nos levar tão à sério e temos o direito de cometer erros que não prejudicam os outros, mesmo que sejam erros de julgamento próprio porque é favorável ser flexível na auto descoberta. Posso dar o direito pra os outros de serem idiotas porque eu mesma tenho esse direito também.

Meditação para o dia:

Rir de mim mesma quando erro, foi muito valioso para meu crescimento.

Intérprete – Ludmila Olivieri
Direção – Christian Simon
Edição – Antônio Leal
Produção – Marta Lima

© Videobes 2017

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