É proibido proibir @ 9ª Tradição @ Meditações

Assim que comecei a prestar serviço, minha madrinha sugeriu que eu me familiarizasse com as tradições. Fui avançando na compreensão espiritual de cada uma; mas quando cheguei na tradição 9 me pareceu um exagero porque o co-fundador escreveu que no início eles acreditavam que a irmandade deveria ter o mínimo de organização possível até concluírem que a irmandade não deveria ter qualquer organização empresarial. Fiquei intrigada como funcionaria um monte de gente tentando transmitir a mensagem, coordenando reuniões, pagando aluguéis e faxineiros, comprando e vendendo literatura, mantendo café copos produtos de limpeza; tudo isso sem uma cadeia de comando?

Não tinha prestado atenção à segunda parte da tradição, que diz que podemos nos organizar em comitês. Somos uma anarquia benigna. Não precisamos ordenar ou receber ordens porque servimos em cooperação uns com os outros. Para mim foi um aprendizado porque eu nunca soube me associar a outras pessoas em cooperação. Eu precisava dominar ou me submeter. Ouvia s pessoas repetindo: “Nos grupos de 12 passos é proibido proibir”.

Percebi que tinha um sentimento dominante que me impedia de cooperar: o medo. Tinha medo que as pessoas não soubessem fazer bem feito algum serviço, ou então tinha medo que não gostassem de mim então me submetia. E na verdade eu adorava leis e regras porque me dava grande adrenalina descumpri-las. E ainda mais atraente era a ideia de conhecer todas as regras e apontar o dedo aos descumpridores.

Ao me ver forçada a cooperar em comitês ao invés de competir, tive que enfrentar meus medos e tive que me soltar e me entregar a Deus e permitir que as pessoas fossem elas mesmas independente de meus julgamentos ou controle. Em meus inventários descobri que tentava controlar as pessoas para evitar minhas dores antigas que se relacionavam com minha adicção. E me soltar no meio de um grupo de pessoas com o foco apenas em mim mesma foi um grande despertar espiritual para mim.

Percebi que estavam certos os companheiros que diziam que Deus não escolhe os capacitados mas capacita os escolhidos.

Nós elegemos nossos servidores. Uma vez eleitos deveríamos ser gratos por aqueles que dedicam seu tempo e energia para o bem da irmandade ao invés de criticar seu serviço. E o rodízio da liderança é que mantém nossa estrutura simples e equilibrada.

Com o tempo em serviço meus medos foram desaparecendo, continuei adquirindo a coragem para seguir em meus inventários e coragem para mudar a mim mesma e perdi a necessidade de controlar os outros. Com isso; a necessidade de agradar aos outros; me submetendo quando na verdade eu gostaria de esmurrar o companheiro opositor; também desapareceu.

E dessa forma retornei ao Passo 1. Não tenho controle sobre coisas pessoas e lugares. Tentando controlar e agradar me tornei insana. A Tradição 9 e o Passo 2 me reconduziram à sobriedade. Comecei a ter a coragem para fazer o meu inventário e não o dos outros.

Meditação para o dia
Posso até me impor com arrogância e chegar ao extremo de exigir silêncio absoluto em uma sala, mas como vou cessar o barulho do trânsito lá fora? Os trovões do temporal? E o canto dos pássaros?

Daniela Ribeiro veste Casual Street (www.casualstreet.com.br).

Intérprete – Daniela Ribeiro
Direção – Christian Simon
Edição – Vinicius Vasconcelos
Produção – Marta Lima

© Videobes 2018

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