Não devemos nos organizar @ 9ª Tradição @ Meditações

Essa tradição apresenta um paradoxo: não devemos nos organizar; mas podemos criar comitês de liderança.

A primeira parte é bem fácil porque todos os adultos que trabalham estão diretamente vivenciando organizações; empresas, lugares que precisam de uma cadeia de comando, um chefe, uma hierarquia a quem devem obedecer. Mesmo na infância nos é ensinado obedecer aos pais aos adultos. Na escola devíamos obediência aos professores; de modo que obedecer, embora odiássemos; sempre fez parte de nossas vidas. Sabemos bem que se não cumprirmos as regras da empresa seremos punidos. Teremos que pagar com nosso salário, temos que compensar as horas que prevaricamos, e quando nos obstinamos; por fim, somos demitidos e dispensados. Então chegamos nos grupos e nos dizem que não há leis; nem punições e que obedecemos ao que é sugerido porque ESCOLHEMOS pelo bem de todos.

Para mim foi um choque não ter uma autoridade pra poder reclamar da companheira que se portava mal nas reuniões. Não existir uma chefia a quem eu pudesse seduzir e manipular pra me conceder benefícios. Não ter uma escada de hierarquia que eu pudesse escalar e eliminar competidores e subir pisando nos outros. Não. Não havia competição. O que encontrei foi serviço e cooperação. Tolerância e bondade.

Essa tradição me ajudou muito na minha vida profissional. Porque eu era essa pessoa que quando me encontrava desempregada pedia um emprego acendendo uma vela pra cada santo e um pacote pro diabo; mas quando eu estava empregada eu não queria me comportar como “empregada”. Queria um emprego, mas não queria ser empregada; obedecer a regras e superiores. Não queria ter superiores. Mal chegava; e arrogante; já queria mudar tudo o que eu achava “errado”.

Quando comecei a servir nos grupos; compreendi que o paradoxo da tradição 9 estabelece que embora não tenhamos chefes, devemos ter líderes e servidores de confiança. E foi nessa segunda parte da tradição que descobri a diferença entre gerente e líder. Fora dos grupos de 12 passos o mundo é organizado de forma que uma pessoa faz cumprir as regras e pune os transgressores. Dentro dos grupos, os servidores dão generosamente seu tempo para que possamos transmitir a mensagem com o menor atrito possível e com o maior bem estar de todos. Eles são líderes porque têm a capacidade de inspirar a todos que cooperem com tolerância, aceitação, serenidade, assertividade, bondade e amor.

Nossos líderes não governam. Eles aprendem com os princípios a desenvolverem uma comunicação que funciona para o bem da maioria, porque ouvem a consciência coletiva. Nossos líderes não são políticos agradadores. Eles apenas cumprem o desejo da consciência coletiva. São adultos o bastante para abrirem mão de seus desejos pessoais do ego em função do desejo da consciência coletiva. Eles não se ressentem ou ficam magoados e abandonam o serviço caso sejam contrariados.

A comunicação sadia é a chave para um bom servidor. Não podemos esperar que as pessoas adivinhem se nos sentimos sobrecarregados: temos que falar. O debate pode ser construtivo para encontramos soluções. Ou pode ser uma competição inútil; só para que eu consiga provar que tenho razão. A escolha é minha.

Mas o fato é que essa tradição me ajudou a ser uma melhor empregada e uma melhor servidora. Adquiri sabedoria para perceber a diferença. E no trabalho ou servindo o grupo deixei de ser a preguiçosa que eu era; cheia de justificativas usando minhas habilidades de comunicação só para apontar o que os outros faziam de errado e assim esconder minha indolência.

Dessa forma me reconciliei com todo mundo e com a alma do mundo.

Meditação para o dia
Porque ser ocioso é tornar-se estranho às estações, e se afastar da procissão da vida!

Daniela Ribeiro veste Casual Street (www.casualstreet.com.br).

Intérprete – Daniela Ribeiro
Direção – Christian Simon
Edição – Vinicius Vasconcelos
Produção – Marta Lima

© Videobes 2018

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