Nunca me perguntaram como eu me sentia quando meu gato desapareceu | Mensagem diária 16/abr

Na infância eu tinha asma. Então quando os adultos me perguntavam como eu estava me sentindo eu sabia que tinha que responder algo sobre meu estado físico. Estava cansado e com febre, ou sentia alguma dor; sentia uma pressão no peito e sentia falta de ar. Me sentia sufocado pela respiração ruim ou então sentia uma moleza e desmaiava.
Nunca me perguntaram como eu me sentia quando meu gato desapareceu; ou quando meu cachorro ficou muito doente e sofri com ele por meses sua agonia de dor e finalmente a morte. Ou quando levava uma surra de uma empregada ou de um irmão mais velho ou de um valentão na escola. Na verdade, os adultos desencorajavam sentir tristeza ou pesar ou luto. Tínhamos permissão apenas para expressar sentimentos “bons” (aqueles que não pareciam antissociais e não davam trabalho pros adultos explicar). Não tínhamos permissão pra sentir raiva, ou inveja, ou ciúmes, ou ressentimentos. Então eu cresci sem qualquer avaliação do que eu sentia na alma. E tudo o que era indesejado eu reprimia, escondia ou ignorava. Com os anos minhas emoções foram adoecendo.
Eu nunca havia pensado na diferença de sentimentos e emoções.
Os gritos e brigas me impactavam com emoções que me faziam ficar paralisado de medo. A vergonha de me sentir responsável por abusos me provocavam emoções confusas. A culpa por sentir coisas reprováveis e censuráveis. Muitas vezes achava que merecia ser castigado. Quando só o que eu queria era ser aceito.
Em recuperação valorizei todos os meus sentimentos porque são todos meus.
São minha expressão de ser humano vivo e hoje; trato todos aqueles sentimentos que eu não tinha permissão pra sentir; como orientações da minha energia de vida.
Assim vou aperfeiçoando minhas emoções. Aquelas cargas de energias que fazem eu me mover ou me paralisar; orientado para o sadio ou para o destrutivo.
Hoje eu escolho.
Meditação para o dia
Com a ajuda de Deus vou treinando meu espírito. No meu ritmo. Sereno. Vivo. Inteiro.

Narração – Christian Simon
Edição – Antônio Leal
Produção – Marta Lima

© Videobes 2017

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